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Entre Bigodes, Penas e Sangue, um convite

Arte mostra a gatinha Violeta, uma cabana vermelha e o Flyvinho lado-a-lado representando as casas editoriais. Ao fundo um céu que varia de tons pasteís tem uma lua cheia brilhando e cilhuetas de árvores. Livros voam sobre a cabana vermelha. O Título está em branco e amarelo " Entre Bigodes, penas e sangue, um convite". Em baixo há a logo das três empresas e um trecho do conto.

O Flyvinho mandou dizer que foi exatamente assim que tudo aconteceu:


— Encontrei o lugar perfeito para o nosso estande na Bienal de São Paulo! — As penas vermelhas caíram em cima da página do livro que Violeta segurava, justamente no momento mais esperado: o beijo. Flyvinho sabia que ela não gostava de ser interrompida e, mesmo assim, suas duas penas agora pareciam marcadores de páginas, insinuando que ela deveria fazer uma pausa e prestar atenção no pássaro. — Ah pare de franzir esses bigodes para mim, Vilu. Vamos! É PERFEITO! Já até entrei em contato com o cara.

Vilu revirou os olhos antes de se dar por vencida e fechar o livro, não devolveria a pena, ela ficava linda em contraste com a página amarelada.


— Que cara?


— Aquele cara.


A gata arregalou os olhos.


— A-a-aquele?


— Aquele. — Flyvinho empinou o bico confiante. Seus olhos brilhavam em uma expectativa orgulhosa.


— Não acredito! — A cauda de Vilu se mexia em excitação, enquanto ela se levantava e colocava o livro de lado. — Você realmente teve coragem? Ele é tão misterioso. Rrrr.

O ronronar dela de aprovação fez o pássaro estufar o peito.


— Sim, o Lenhador está do nosso lado, e sabe a melhor parte? — Ele não a esperou responder. — Vamos para a Cabana Vermelha hoje à noite.


(...)


Violeta e Flyvinho estavam em frente à cabana, com suas paredes vermelhas vivas, mas já descascadas pelo tempo. Ela ficava em um local escondido e só foram capazes de achar com a ajuda do Lenhador. O vento soprava forte, o cheiro de livros aumentava a cada instante, e alguns galhos moviam suas folhas em movimentos fantasmagóricos. O conforto de bons enredos e o sibilar do frio encantado eram as principais promessas para aquela viagem.


O pássaro sentiu as penas da coluna arrepiarem, não saberia dizer se de expectativa ou medo. Já a gata, apesar de colocar um ar indiferente em seu caminhar felpudo, tinha certeza de que Flyvinho se superou dessa vez.


Se aproximaram da porta velha de madeira de lei. Vilu levantou a pata dianteira e arranhou a porta da Cabana Vermelha.


Os segundos se arrastaram. Flyvinho tomou um susto ao sentir um vento sussurrar em seu ouvido “Tem certeza de que quer entrar?”.


Mas estava tudo bem, o Lenhador prometeu que estaria.


Clic, clic, clic.


Com um chiado de trancas velhas enferrujadas a porta se abriu.


— Está pronta? — perguntou Flyvinho, estendendo sua asa.


A gata eriçou os bigodes.


— Estou sempre pronta para os livros. — Deu a pata aceitando o convite.

Juntos os dois entraram na Cabana Vermelha.

(...)

Quem olhasse de longe provavelmente colapsaria, com o cérebro não aceitando a imagem fantástica. A Cabana Vermelha pareceu vibrar, como um rubi recém lapidado ou sangue quente no chão, há quem diga que até pés de galinha surgiram debaixo dela enquanto penas vermelhas e pelos violetas saiam de suas janelas, transformando-se em um redemoinho que arrancou a estrutura do chão com barulhos altos de pregos se segurando, levando-a para longe.


O cheiro de livro novo, novos capítulos, os acompanhou durante todo o trajeto, encantando os curiosos, aqueles que ousaram sonhar com outros mundos.

Para suas equipes, o Lenhador, a Violeta e o Flyvinho deixaram um recado:


Sigam o cheiro dos livros, o cheiro das histórias, sigam até a Bienal de São Paulo. A casa está no número 88, com todas as penas, bigodes e magia que podemos oferecer.

Vocês têm coragem de voar com a gente?

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